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Responsável: JORGE BALTAZAR Janeiro 1999
INDICEFormas de Organização das Actividades Orientação ao Longo de uma Referência Linear
INTRODUÇÃOA Orientação é uma das actividades desportivas que, nos últimos anos, se tem desenvolvido de forma muito acentuada, como resultado de tendências sociais actuais, em que o indivíduo procura cada vez mais actividades de lazer ligadas aos grandes espaços e de cariz ecológico. A Orientação é actualmente uma modalidade com larga aceitação no meio escolar e já faz parte do currículo de muitas escolas, de tal forma que actualmente quando nos referimos a "Orientação" já os nossos interlocutores a associam a uma actividade realizada com um mapa na qual pretendemos realizar um percurso durante o qual devemos interpretar a informação contida neste. Nada melhor do que proporcionar aos alunos actividades fora do vulgar leque da cultura física, onde é possível desenvolver as várias finalidades e objectivos da Educação Física, nomeadamente no domínio da autonomia, sociabilidade, cooperação, desenvolvimento de capacidades de raciocínio, e das próprias qualidades físicas (resistência). Estas valências justificam claramente a existência da Orientação nos programas de Educação Física. No entanto continua a existir uma grande lacuna ao nível da formação inicial dos professores, que regra geral não tiveram qualquer tipo de formação a este nível, ou quando ela ocorreu teve apenas um carácter de experimentação . Pretendemos com esta acção aprofundar um pouco os conhecimentos e competências ao nível das técnicas das Orientação de forma a dotar os professores de capacidades para abordarem de uma forma mais consistente o ensino da Orientação. O documento de apoio que aqui apresentamos serve como meio complementar de informação aos participantes nas acções de formação. A sua consulta não dispensa a participação nas sessões teóricas e práticas da acção de formação, constituindo um reforço aos conteúdos nela tratados. O QUE É A ORIENTAÇÃO?Podemos considerar que todas as actividades em que se recorre à utilização de um mapa, ou em que pretendemos fazer uma opção sobre o melhor trajecto a realizar entre dois locais são Orientação. No entanto, como modalidade desportiva definimos a Orientação como sendo uma actividade em que o praticante tenta realizar no menor tempo possível um percurso, previamente definido e marcado num mapa, sendo obrigado a visitar pela ordem definida no mapa um conjunto variável de postos de controlo que estão materializados no terreno por uma "baliza" e um pequeno alicate de plástico que o praticante usa para comprovar que esteve nos postos de controlo, através do preenchimento de um cartão de controlo que recebe na partida. UM POUCO DE HISTÓRIAA Orientação é uma modalidade desportiva com mais de 100 anos que teve origem na Escandinávia (Suécia e Noruega), região onde é muito popular e de onde são os melhores praticantes. Em Portugal a modalidade é muito mais recente tendo aparecido inicialmente no meio militar e só depois passou para a sociedade civil. Algumas datas significativas 1850 – A Orientação aparece como actividade desportiva na Escandinávia
AS DISCIPLINAS DA ORIENTAÇÃOAs diferentes formas de prática de Orientação relacionam-se com os meios de locomoção utilizados ou ainda com o meio em que se desenvolve a actividade, sendo no entanto a capacidade de leitura do mapa e de decisão na escolha de itinerários o factor essencial para a prática da actividade. A Federação Internacional de Orientação (IOF) reconhece e desenvolve quadros competitivos em 4 disciplinas, Orientação Pedestre, Orientação em Ski, Orientação em BTT e "Trail Orienteering" Orientação Pedestre Forma original da prática da Orientação, em que o meio de locomoção é a corrida (ou andar), existindo 3 tipos de competições, relacionadas com o tipo de percurso a realizar. Prova Clássica - Com duração de 75 a 90 minutos, para Homens e 60 a 70 minutos para Mulheres, em que o skill predominante deverá ser a escolha do melhor itinerário para realizar os percursos intermédios entre 2 pontos (route choise). Prova Curta - Com duração de 25 minutos , para Homens e Mulheres, em que os pontos de controlo estão situados mais próximos, são muito técnicos e o skill predominante deverá ser a leitura detalhada (fina) do mapa e uma elevada concentração ao longo do percurso. Prova Longa - Com duração superior a 2 horas, sendo uma forma de competição pouco usada. Prova de Estafetas - Provas para 2 ou mais participantes por equipa que participam consecutivamente na prova, sendo a partida de todos os primeiros concorrentes feita em simultâneo. Em Portugal as equipas concorrentes ao Campeonato Nacional são formadas por 3 concorrentes e no Campeonato do Mundo por 4 concorrentes. Os percursos têm, normalmente, entre 45 e 65 minutos para Homens e 30 e 50 minutos para Mulheres. Orientação em Ski Forma bastante divulgada nos países do Norte da Europa, sendo inclusive modalidade do programa das próximas Olimpíadas de Inverno. No terreno são abertos trilhos para facilitar a locomoção, sendo estes assinalados no mapa a cor verde e classificados quanto à sua transitabilidade. Orientação em BTT Forma de prática da Orientação com grande número de adeptos, principalmente em França, Espanha e República Checa. Podem realizar-se actividades com os Mapas normais de Orientação, no entanto existem normas específicas quanto à elaboração dos mapas, onde os caminhos são classificados quanto à sua transitabilidade e largura. A escala utilizada é normalmente 1/20.000. "Trail Orienteering" Forma de prática da Orientação vocacionada para deficientes motores, com percursos específicos em que a competição não se realiza cronometrando a duração do percurso, mas pela quantidade de pontos de controlo marcados correctamente. Para cada ponto de controlo existem várias balizas no elemento característico ou próximo dele, devendo o concorrente indicar qual delas está correctamente colocada. Orientação a Cavalo Forma de prática pouco divulgada, com características similares à Orientação em BTT. Orientação em Canoa/Vela A forma mais comum é em canoa, normalmente em albufeiras e lagos com margens muito recortadas por enseadas e braços de rio. Orientação Sub-Aquática Uma forma muito particular de Orientação que recorre a mapas específicos com a representação do relevo do fundo do mar ou de lagos. Orientação em Viaturas TT Esta forma de prática de Orientação não é reconhecida pela IOF, uma vez que tutela apenas as variantes da Orientação que se realizam sem recurso a meios motorizados. Em Portugal ainda não foram realizadas actividades específicas desta forma de prática de Orientação, mas ela é utilizada nos Passeios todo-o-terreno e também em algumas competições de TT. A este nível está um pouco em desuso nas competições mais importantes, talvez devido ao facto de que o factor potência das viaturas utilizadas é relegado para segundo plano, visto que a qualidade da navegação se torna o factor preponderante. Orientação em Montanha Actividade associada à prática do Montanhismo, na realização de marchas em áreas montanhosas em que a leitura e interpretação de mapas, nomeadamente do relevo é factor determinante na sua realização. Orientação em parques (Park Orienteering) Forma recentes de prática de Orientação surgida da necessidade de promover a modalidade, tornando-a mais espectacular. São provas de curta duração realizadas em espaços pequenos em que as capacidades fundamentais são a velocidade de execução (decisão e picotagem do cartão) e a resistência de média duração. Orientação em Zonas Edificadas (City "O") Surgiu com o mesmo objectivo da Orientação em parques, realiza-se em cidades utilizando mapas do tipo dos toponímicos (roteiros das cidades). Orientação Nocturna Forma de prática bastante remota que conta com muitos adeptos, coloca os concorrentes com a dificuldade acrescida de realizar a prova com visibilidade reduzida (é permitida a utilização de iluminação artificial).
FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DAS ACTIVIDADESPercurso Formal ![]() Tipo de percurso normalmente utilizado na Orientação Pedestre, em que o mapa é marcado previamente, sendo a partida assinalada por um triângulo de 6 mm de lado, os pontos de controlo por círculos numerados de 5 mm de diâmetro e a chegada por dois círculos concêntricos de 5 e 7 mm. Os pontos de controlo são unidos, segundo a sua ordem, por traços que não intersectam os círculos, sendo normalmente dispostos de forma circular de modo a evitar que os concorrentes tenham vantagem em alterar a ordem de realização dos pontos de controlo. Os pontos de controlo são materializados no terreno por prismas triangulares de cor laranja e branca com 30 cm de lado (balizas) a que se associa um picotador que comprova a passagem pelo ponto de controlo e um código de identificação formado por dois dígitos.
Percurso Permanente A existência de percursos permanentes nas escolas e nos espaços verdes circundantes (parques, pequenos bosques, etc.) é de particular interesse para a abordagem da Orientação a nível curricular ou mesmo extracurricular. Vantagens
Desvantagens
PONTUAÇÃO (SCORE 100)
Neste tipo de organização são marcados mapas com a partida a chegada e vários pontos de controlo, não sendo indicada a ordem de realização dos pontos de controlo e é associado a cada ponto uma pontuação em função do grau de dificuldade. Normalmente é atribuído um tempo máximo de realização da prova e o objectivo desta é realizar o maior número de pontos no tempo determinado. Na variante Score 100 o objectivo é realizar cem pontos.
Vantagens
Desvantagens
PERCURSO EM LINHA No mapa, através de setas e linhas, é indicado o percurso exacto que os alunos devem realizar, não sendo indicada a localização dos pontos de controlo. No terreno são colocados os pontos de controlo em elementos característicos por onde passa o percurso definido. Durante a realização do percurso os alunos devem descobrir os pontos de controlo e assinalar no mapa o local em que se encontram. Vantagens
Desvantagens
ESTAFETAS Combinação de 2 ou mais percursos realizados consecutivamente por equipas, sendo a partida de todos os primeiros concorrentes feita em simultâneo e a totalidade dos percursos igual para todas as equipas, mas os diferentes participantes realizam percursos diferentes. Vantagens
Desvantagens
PERCURSOS DE IDA-E-VOLTA (ou vela de Moinho) Situação de fácil organização, em que os alunos realizam o percurso a partir de um ponto central, onde regressão após a marcação de cada ponto de controlo. Pode também ser uma forma simplificada de marcação dos percursos de uma estafeta. Em situações com alunos de diferentes níveis de prestação podemos marcar no mesmo percurso (ex. C) dois pontos fáceis (1 e 4) e dois mais difíceis (2 e 3), realizando os alunos de nível mais avançado a totalidade do percurso e os outros apenas uma parte. Vantagens
Desvantagens
PERCURSO NORUEGUÊS Nesta forma de organização o percurso não está previamente marcado no mapa. Assim, ao realizar este tipo de percurso, na partida temos um mapa onde está marcado o triângulo da partida e o 1º ponto de controlo, que devemos copiar para o nosso mapa que nos foi entregue em branco. À medida que se realiza o percurso vamos sabendo para onde nos devemos dirigir. Vantagens
Desvantagens
PERCURSO DE OPÇÃO MÚLTIPLA Na marcação dos mapas assinalam-se dois ou mais círculos para cada ponto de controlo (1a, 1b ; 2a, 2b ; ... ) Em cada ponto de controlo é colocado um cartaz com uma questão, e várias respostas. Cada resposta à questão corresponde a um dos círculos assinalados no mapa, pelo que dependendo da resposta os alunos dirigem-se para um dos locais assinalados. Se responderem correctamente encontram o ponto de controlo seguinte, se não, terão de voltar ao ponto anterior e responder correctamente. Pode-se simplificar a organização implementando esta situação em Percurso Norueguês. Vantagens
Desvantagens
ESTRUTURAÇÃO DOS CONTEÚDOSTÉCNICAS ELEMENTARES LEITURA DO MAPA
ORIENTAÇÃO AO LONGO DE UMA REFERÊNCIA LINEAR
REALIZAÇÃO DE PEQUENOS ATALHOS
BÚSSOLA
TÉCNICAS AVANÇADAS LEITURA DO RELEVO
BÚSSOLA
ESCOLHER UM PONTO DE ATAQUE
ORIENTAÇÃO DETALHADA
RELOCALIZAÇÃO PLANEAR O ITINERÁRIO
A TÉCNICA NO PONTO DE ATAQUE
TÉCNICAS ELEMENTARESLEITURA DO MAPA Noção de Planificação Devemos transmitir ao aluno noções básicas sobre a forma como é construído um mapa (projecção vertical dos objectos), o que é possível através da representação de objectos simples e espaços reduzidos conhecidos pelos alunos, como por exemplo mesas, cadeiras, plintos ou mesmo da sala de aula e do ginásio. A Legenda A aprendizagem da simbologia inserida no mapa e a sua relação com o terreno revela-se importante para o sucesso na realização de percursos de Orientação, uma vez que permite uma fácil localização e Orientação do mapa, bem como facilita a opção pelo trajecto mais correcto. As situações de aprendizagem devem ser organizadas de modo a que o aluno adquira os conhecimentos sobre a simbologia básica do mapa, através da consulta da legenda nele inserida. Sempre que ocorra uma mudança no tipo de mapas utilizados devemos fazer uma recapitulação desta fase, chamando à atenção para as diferenças existentes na simbologia utilizada em cada mapa.
Localização e Orientação do Mapa Através dos Pontos de Referência Quando o aluno tem acesso a um mapa deverá em primeiro lugar saber que espaço este representa, após o que deverá tentar indicar no mapa a sua localização. Para tal o professor deverá dar indicações sobre os pontos de referência (elementos característicos) do local em que se encontra e a sua representação no mapa. Após localizar com precisão o local em que se encontra o aluno deverá orientar o mapa de acordo com a disposição no espaço dos pontos de referência. Deveremos procurar transmitir ao aluno a sensação de estar dentro do mapa no local indicado.
Dobrar o Mapa A possibilidade de manuseamento do mapa ao longo de todo o percurso facilita a sua leitura. Normalmente o percurso indicado no mapa é muito menor que o mapa, havendo áreas de informação marginal que não são determinantes para a correcta leitura do mapa. Salvaguardando as situações iniciais de aprendizagem em que os alunos necessitam d recorrer permanentemente à legenda do mapa, devemos dobrar o mapa de forma a reduzir o seu tamanho à área útil com um tamanho aproximado de 15 cm.
Regra do Polegar Quando agarramos o mapa o dedo polegar opõe-se aos restantes, pelo que ao ser colocado no local em que nos localizamos indica- nos a nossa localização. Sempre que nos desloca-mos o dedo deve acompanhar no mapa os movimentos efectuados. Esta regra quando bem executada permite indicar sempre com precisão e rapidez o local em que se encontra, uma vez que restringe a zona do mapa a consultar às imediações do local onde está colocado o dedo.
Manter o Mapa Permanentemente Orientado A aquisição desta etapa é de importância capital para o desenvolvimento das capacidades e conhecimentos dos alunos, pois dela depende a capacidade de realizar os percursos de forma correcta e com sucesso. Assim deveremos deixar bem clara a necessidade de manter o mapa permanentemente orientado, quer através das indicações dadas aos alunos quer através das situações de aprendizagem propostas. Noção das Distâncias e Escalas A noção do espaço percorrido ou a percorrer pelos alunos durante a realização do percurso‚ também é importante para o seu sucesso. Assim o aluno deverá saber relacionar o espaço representado no mapa e a sua correspondência no terreno. A noção dos espaços percorridos desenvolve-se com a prática e é possível de ser melhorada através da contagem de passos que estando aferidos dão uma informação sobre o espaço percorrido.
ORIENTAÇÃO AO LONGO DE UMA REFERÊNCIA
LINEAR
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